arbitrariedade política

como lutar sem armas na mão
o inimigo possui um poderoso arsenal bélico
é injusta a luta em que um lado pode tudo
ao outro cabe apenas a (sub)missão de ouvir calado

como se defender do algoz
a lei é contrária aos que necessitam de ajuda
não se pode recorrer à Justiça Suprema

então pra que brasão
pra que regulamento
pra que história
tudo é farsa
estampa grossa
esmalte a cobrir as unhas

vontade de abandonar a luta
abandonar a ideologia
se perder na ilusão

a impunidade reina absoluta
o opressor controla a verdade
forja uma imagem falseada
sorri por detrás de um mandato
de um paletó de gravata mofado

o chicote ainda dança no ar
fere a carne de todas as cores
só que agora está oblíquo
disfarçado de democracia
fera perversa a devorar o povo

ambígua sensação de impotência
eternos anos de completa escuridão

 

BIOGRAFIA DO AUTOR

Julio Corrêa, carioca, filho de José da Silva Corrêa e Cecília Quintal Corrêa, é oficial da Marinha, ator, poeta e escritor, pós-graduando em “Estudos Literários” e em “Artes Cênicas”. Publicou os livros de poesias “Íntimas Sensações” (2005), “Substantivo Desvairado-Sedutor” (2007) e “Miopia Social” (2019); e o romance “E-mails para Clarice” (2009). Possui várias premiações literárias, entre as quais se destacam: 2015 (1º lugar no I Concurso de Poesias Homoafetivas do RJ, 3º lugar na 27ª Noite Nacional da Poesia – UBE-MSfinalista no V Concurso de Poesias de Ourinhos); 2014 (1º lugar no 27º Festival de Poemas de Cerquilho, 1º lugar no Prêmio FEUC de Literatura, finalista do Prêmio SESC/DF de Poesias, Prêmio Incentivo no 32º Concurso Literário Yoshio Takemoto); 2009 (1ª Menção Especial – Honraria Destacada – no Prêmio Nova Poesia Brasil – RJ, finalista do 9º Concurso de Poesias da UFSJ); 2008 (1º lugar no V Concurso de Poesias do Sana da Biblioteca Pública Municipal Osmar Sardenberg, 2º colocado no Concurso Nacional de Poesia de Mogi das Cruzes, Menção Honrosa no 26º Concurso Literário Takemoto, finalista do Prêmio SESC/DF de Poesias, finalista no 43º Festival de Poesia de Paranavaí, finalista e melhor intérprete do Prêmio FEUC de Literatura, finalista no VII Prêmio Literário Livraria Asabeça, 10º lugar no 4º Concurso Literário de Suzano); 2007 (Menção Honrosa no II Concurso Claudionor Ribeiro de Contos da Academia Cachoeirense de Letras, Menção Honrosa no 12º Concurso de Poesia do Município de Valinhos, Moção de Aplausos pela participação na “Semana de Campo Grande” pela Câmara do Rio de Janeiro); 2006 (1º lugar no 11º Concurso de Prosa do Município de Valinhos, Prêmio Expressão Cultural da Coordenadoria Regional da Zona Oeste do Rio de Janeiro, finalista e melhor intérprete do Prêmio FEUC de Literatura, 3º melhor intérprete do 19º Festival de Poemas de Cerquilho, 8º lugar no Prêmio Cataratas de Contos, Menção Honrosa no II Concurso Literário Prado Veppo da UNIFRA); 2005 (finalista e melhor intérprete do Prêmio FEUC de Literatura); 2003 (2º lugar no III Festival de Poesia do SEERJ); 2002 (finalista do VII Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja da APPERJ, finalista do Prêmio FEUC de Literatura); 2001 (2º lugar e melhor intérprete na XXII Ciranda de Poesia da Biblioteca Popular de Jacarepaguá, finalista no II Festival de Poesia do SEERJ, finalista no 3º Prêmio de Literatura FAMA em Prosa, Menção Honrosa no II Concurso Pedra Pura Poesia, 8º lugar no VII Concurso Internacional Literário de Outono, finalista no IV e no V Concurso Literário “A Palavra do Século XXI”). Foi coordenador do Concurso de Poesias da Casa do Marinheiro de 2007 a 2011. Em 2019, atuou como protagonista do espetáculo O Médico à Força, uma comédia de Moliére.