Uma das principais representantes da literatura contemporânea de língua inglesa, Sheila Heti é a quarta presença confirmada na 17ª Flip, que acontece de 10 a 14 de julho, em Paraty. Em 2018, a escritora canadense foi citada por críticos do New York Times em uma lista de 15 escritoras ao redor do mundo que estão “moldando a maneira como lemos e escrevemos ficção no século 21”. Heti é autora de oito livros de ficção e não ficção e suas obras foram traduzidas para 21 línguas. Maternidade, seu título mais recente e o primeiro lançado no Brasil, em março de 2019 pela Companhia das Letras, foi eleito por diversos veículos internacionais – como a New York Magazine e o Times Literary Supplement – como o melhor livro de 2018.

“Sheila Heti tem a capacidade rara de criar narrativas ficcionais cheias de ritmo que coordenam reflexões filosóficas complexas e a concretude da vida real. Seu último livro, que discute a escolha ou não pela maternidade – tema que só recentemente ganhou debate mais amplo –, faz isso de forma profunda e brilhante, enfrentando todas as ambiguidades do caminho”, diz Fernanda Diamant, curadora da Flip.

Vida e obra

Sheila Heti nasceu em Toronto, em 1976. Filha de imigrantes judeus húngaros, não concluiu seus estudos em dramaturgia, iniciados após o ensino médio, na National Theatre School de Montreal. Em seguida cursou história da arte e filosofia na Universidade de Toronto. Esse percurso acadêmico deixou uma marca em sua narrativa – como é o caso de How should a person be? (Henry Holt, 2010), romance cuja narradora também se chama Sheila e que elevou a escritora ao reconhecimento internacional.

Em Maternidade (Companhia das Letras, 2019), Heti faz um mergulho em direção aos dilemas que envolvem a decisão de ter ou não ter filhos, por meio de uma escrita que pode ser considerada autoficção. Em entrevista à revista literária Paris Review, a escritora conta: “Uma amiga que leu o livro disse que se os homens pudessem ter bebês, haveria centenas de livros como este sendo escritos desde a época de Platão – que gerar ou não a vida seria a questão central da filosofia”.

Como editora de entrevistas da revista The Believer, lançada em 2003 nos Estados Unidos, Heti conduziu longas conversas com artistas e personalidades entre os quais estão os nomes de Joan Didion, Elena Ferrante e Agnès Varda. A canadense também colaborou com uma série de veículos internacionais, como a New Yorker e o London Review of Books, publicando ficção e crítica literária.

Flip 2019

A 17ª edição da Flip acontece de 10 a 14 de julho, em Paraty, e tem o escritor Euclides da Cunha como Autor Homenageado. Estão confirmados os nomes de Walnice Nogueira Galvão, Kristen Roupenian e Kalaf Epalanga.

Quem faz a Flip

A Flip tem o patrocínio do Ministério da Cidadania, através de sua Secretaria Especial de Cultura, a partir do Edital de Feiras Literárias e por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além de Apoio da EDP e da CMPC. A edição 2019 continua em fase de captação de recursos.