Delegado de Polícia propõe medidas para diminuir a corrupção e a violência no Rio de Janeiro

O Delegado de Polícia e escritor Thiago Garcia propõe soluções para a onda de violência no Rio de Janeiro e afirma que os acontecimentos recentes têm ligação direta com a corrupção

Nos últimos dias o Rio de Janeiro tem vivido momentos difíceis e ondas de violência sem precedentes. Essa situação na segurança pública do Estado está longe de ser uma grande novidade e muitos especialistas têm debatido soluções para a questão.

O Delegado de Polícia e escritor Thiago Garcia é um dos que acompanham a situação. Com mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais, o Delegado é o mais seguido da sua área e vem usando a internet para conscientizar as pessoas sobre a importância de combater a corrupção. Ele aponta que a violência é consequência de um problema ainda mais profundo, que é a corrupção: “a situação no Rio de Janeiro está fora de controle. Sem dúvida o povo carioca vive o seu pior momento na história. Basta lembrar que vários políticos foram presos. Isso mostra que há uma corrupção imensa enraizada no Estado, e este é o principal problema hoje da região. A violência surge como consequência clara disso”. 

thiago garcia
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No caso específico do Rio de Janeiro, o Delegado aponta que existem peculiaridades que tornam a questão ainda mais complexa: “Além da corrupção, que está enraizada na cultura e na máquina pública, há as milícias, que também estão ligadas à corrupção, pois são policiais e ex-policiais que praticam crimes”. 

Conhecedor dos problemas, o Dr. Thiago Garcia indica possíveis soluções para amenizar a crise: “Infelizmente não há como acabar com o problema. Temos 519 anos de corrupção, isto está enraizado na nossa cultura, teríamos de voltar no tempo para começar tudo de novo e isso não é possível. Logo, a melhor medida a ser tomada é fazer uma investigação eficiente. Para tanto, é necessário investir em recursos materiais e humanos, além da concessão de autonomia e de garantias de independência à Polícia Judiciária. É fundamental também aplicar penas rigorosas para desencorajar a prática criminosa e para que os bandidos sintam medo do Estado. Devemos buscar a função retributiva, de retribuir o mal praticado e ao mesmo tempo a função preventiva, para que sirva de exemplo às pessoas que já delinquiram ou que pretendem delinquir”. 

No campo das leis, o Delegado propõe mudanças que poderiam ajudar a reduzir significativamente a corrupção sistêmica: “Já passou da hora de o Brasil transformar a corrupção em crime hediondo, pois ela mata mais do que as armas de fogo. Os bilhões de reais que são desviados dos cofres públicos poderiam melhorar a saúde, a educação, a cultura e a segurança pública. Por que até agora isso não aconteceu? Porque muitos políticos estão protegendo seus próprios interesses. Eu defendo que o condenado por corrupção tenha banimento permanente da política e da vida pública. Além disso, tem que tocar no bolso, a parte mais sensível do corpo dos corruptos. O condenado por corrupção deveria perder não somente os bens conquistados por meio do crime, mas também ter confiscados outros bens em relação ao seu património lícito, como forma de indenização à sociedade. Se ele recebeu um milhão de reais em propina, que devolva o valor ilícito e que pague o mesmo montante a título de danos morais coletivos, ou seja, o corrupto teria que desembolsar dois milhões de reais, no mínimo. Passou da hora também de o Brasil criar um instrumento, que é comum nos Estados Unidos, chamado “recall”. Se o povo elege e coloca o político no poder, o povo deve ter também um instrumento para tirá-lo de lá, para cassar o seu mandato imediatamente”.