jarid arraes

A escritora, cordelista e poeta cearense Jarid Arraes é a 13ª presença confirmada na Flip 2019, que acontece entre 10 e 14 de julho, em Paraty. Autora de As Lendas de Dandara (2ª edição, Editora de Cultura, 2016), Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis (Pólen, 2017) e Um buraco com meu nome (Ferina, 2018), Arraes mobiliza formas tradicionais e questões de ancestralidade na construção de uma literatura de luta e engajamento político. Em junho deste ano, lança seu primeiro livro de contos, Redemoinho em dia quente (Alfaguara/Companhia das Letras). É também curadora do selo literário Ferina, da Pólen Livros, dedicado à publicação de escritoras mulheres.

jarid arraes
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“Jarid Arraes é uma autora híbrida: suas referências são uma mistura de Cariri com Lady Gaga. Ela bebe nas tradições e em sua própria história familiar, ao mesmo tempo em que as subverte, olhando sempre com seriedade para as questões políticas deste momento. Sua escrita tem o frescor potente de quem se desloca para conhecer outras paragens, geográficas e metafóricas”, diz a Fernanda Diamant, curadora da 17ª Flip.

“Desde o início, a Flip ajuda a revelar autores iniciantes. O público acompanha esses nomes com especial interesse. A presença confirmada de Jarid Arraes é uma oportunidade de conhecer melhor essa autora que trabalha com diferentes linguagens, evocando um imaginário amplo e diversificado. Cada vez mais, a literatura precisa ser construída como espaço de trocas, de possibilidades”, afirma Mauro Munhoz, diretor geral e artístico do Programa Principal da Flip.

A autora e as obras

Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, no Ceará, em 1991, e atualmente vive em São Paulo. Filha e neta de cordelistas e xilogravadores, teve contato desde muito cedo com a cultura nordestina tradicional, especialmente com a literatura de cordel. Aos 20 anos, já atuava em blogs e outras plataformas on-line, e em redes de discussão feministas. Foi colunista da Revista Fórum de 2013 a 2016, colaborando com textos sobre questões de gênero, raça e cultura.

Em 2012, a autora deu início à publicação de cordéis, motivada pela vontade de manter viva a tradição familiar e, ao mesmo tempo, de encontrar uma voz própria, que diversificasse os temas e os personagens até então retratados. Hoje, ela conta com mais de 60 cordéis publicados – muitos sobre mulheres negras, como Carolina Maria de Jesus, Luísa Mahin e Maria Firmina dos Reis, ou sobre questões de identidade, passando por gênero, raça e sexualidade. Com dezenas de milhares de cópias vendidas de seus livros, ainda hoje é a própria Jarid Arraes quem cuida de imprimir, montar e vender os cordéis.

A escrita de Jarid Arraes é um ato político, feito a partir de um trabalho de pesquisa e resgate da memória social, coletiva, familiar e local. Porém, não se prende apenas às formas do cordel: em seu livro de poemas Um buraco com meu nome, diversifica seus temas e experimenta outras técnicas de escrita, partindo para a poesia lírica, sob influência, segundo a própria autora, de escritores como Sylvia Plath e Augusto dos Anjos.

Seu livro As Lendas de Dandara deve ganhar adaptação para a TV Globo.

Flip 2019

A 17ª edição da Flip acontece de 10 a 14 de julho, em Paraty, e tem o escritor Euclides da Cunha como Autor Homenageado. Estão confirmados os nomes de Walnice Nogueira Galvão, Kristen Roupenian, Kalaf Epalanga, Sheila Heti, Grada Kilomba, Carmen Maria Machado, Karina Sainz Borgo, Ismail Xavier, Ayelet Gundar-Goshen, Marilene Felinto, Ayobami Adebayo e Miguel Gomes.

Quem faz a Flip

A Flip tem o patrocínio do Ministério da Cidadania, através de sua Secretaria Especial de Cultura, a partir do Edital de Feiras Literárias, e por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além de Patrocínio Oficial do Itaú e Copatrocínio da EDP e da CMPC. A edição 2019 continua em fase de captação de recursos.